Dor Abdominal Funcional
A dor abdominal é uma das queixas mais comuns no consultório do gastroenterologista pediátrico. Acomete até 25% das crianças em idade escolar.
Dentro de todas as causas de dor, a funcional é a mais presente, podendo chegar a mais de 50% dos casos.
Mas o que é dor abdominal funcional?
O sintoma predominante é a dor abdominal e pode ser devido a situações como:
- Síndrome do Intestino Irritável
- Dispepsia funcional
- Enxaqueca abdominal (sim, existe)
Para realizar o diagnóstico, o gastropediatra se baseia em critérios como o Roma V (baseado nos sintomas do paciente) e considerando o tempo de evolução do quadro.
Baseado nos dados mencionados pelos pais, durante a consulta, é possível realizar a suspeita diagnóstica, muitas vezes sem a necessidade de exames complementares.
Porém, caso haja sinais de alarme a investigação laboratorial é mandatória.
E quais são os sinais de alarme da dor abdominal?
- Perda de peso
- Vômitos persistentes
- Dor para engolir os alimentos
- Urgência para evacuar
- Acordar à noite por conta da dor
- Diarreia crônica
- Sangramento nas fezes ou na urina
- História familiar de doenças intestinais
O cérebro pode ter ligação com dor abdominal?
Sim, a dor abdominal funcional pode se apresentar por diversas causas. Uma das principais e que vem crescendo, principalmente após a pandemia, é a ansiedade. Existe um eixo chamado cérebro-intestino-microbiota, que liga o cérebro ao intestino de uma forma complexa e que envolve uma série de processos, permitindo que alterações psicossociais possam gerar quadros de dor abdominal.
Outro fator importante está ligado a alimentação das nossas crianças. O crescente consumo de alimentos industrializados e ultra processados está intimamente ligado com distúrbios do trato gastro intestinal.
Como tratar?
O uso de medicamentos em crianças deve ser avaliado com bastante atenção e cuidado. Só deve ser realizado tratamento nos casos em que os sintomas interfiram negativamente na qualidade de vida. Tratar transtornos como ansiedade e corrigir hábitos alimentares devem sempre anteceder qualquer tratamento farmacológico.
Alguns tratamentos como probióticos, antidepressivos e agentes anti-histamínicos podem ser utilizados de acordo com a intensidade do quadro.
Nosso corpo é o resultado daquilo que fazemos com ele. Hábito alimentar saudável, atividade física regular, uso limitado de telas e sono adequado são essenciais para reduzir o risco de dor abdominal funcional.
O melhor tratamento sempre será a prevenção!
